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Os Porquês

É preciso aceitar perder.
Você vai falhar e vai errar muitas vezes, tomar péssimas decisões e vagar por caminhos que não era nem para ter pisado.
Por mais difícil que seja de aceitar, uma hora você vai ter que lidar com o fato de que você vai fracassar.
É inevitável, uma hora vai dar merda.
Uma hora alguém vai te deixar no vácuo no WhatsApp. Uma hora não vai ter mais com quem conversar. Não vai ter com quem sair nem mesmo para encher a cara num bloquinho qualquer de carnaval.
Uma hora você vai sentir o peso da solidão enquanto está deitada na sua cama, com o colchão tomando as formas exatas do seu corpo.
Uma hora você vai se perguntar se seu telefone ainda funciona porque ele simplesmente não toca mais, e você nem gosta de falar ao telefone.
Você vai sentir que está enlouquecendo enquanto passa os dias trancada no seu quarto.
E talvez você esteja mesmo.
Sabe aquelas pessoas que tu tanto gostas? Elas vão te magoar muito. Vão te magoar de tal forma que você vai começar a se culpar sem motivo, por pura autossabotagem.
Mas, outras pessoas passarão pela sua vida e no fim das contas você vai compreender que nada aqui é permanente.
Cada uma dessas pessoas virá para te ensinar algo e você aprenderá mesmo que o processo de aprendizagem seja dolorido.
Você vai descobrir um dom em você de liberar o perdão para as pessoas.
Vai chegar uma hora, também, que você não vai entender mais nada do que está acontecendo na sua vida. Você vai gritar perguntando aos céus “POR QUE EU?!” enquanto o mundo despenda sobre seus largos, porém frágeis ombros, de nadadora.
Você vai sentir a vida te desafiar a sair dessa em tom de deboche. Ela vai te cobrar muito enquanto caçoa de ti porque sabe que você se perdeu e perdeu o seu porquê.
Mas, enquanto a felicidade foi dar uma volta, que tal aproveitar o momento para autorreflexão? É tempo de desenvolver agora o dom do autoperdão.
Construa você mesma seus novos porquês, acentuados, separados ou juntos, tanto faz… Afinal de contas, você é escritora da sua própria história.

Não se perca

Às vezes me diminuo tanto tentando agradar as pessoas, como um bulímico que enfia o dedo na garganta para vomitar e caber nas roupas que queria. Prefiro moldar meu jeito de ser ao jeito do outro do que perder alguém. Porque me é insuportável a ideia de solidão. De repente parece que tenho seis anos de idade de novo e não sei aceitar perder. E, no medo de perder, eu me perco.
Quando as pessoas partem da minha vida, sempre acho que estou perdendo um diamante lapidado. Mas, não é hora de fazer birra. As pessoas se vão e está tudo bem ficar triste às vezes, é compreensível. Só não se esquece que relações humanas são faca de dois gumes – há ganhos e perdas para ambos. Quando as pessoas vão em bora, elas também perdem algo. Ou você realmente acha que vai topar com outro alguém, exatamente como eu, que é viciada em séries, sente tesão em paleta de cores, vê poesia em tudo, realmente ama o gosto amargo da cerveja e mistura Traquinas com Fandangos porque o gosto é tão estranho que isso distrai os pensamentos e acaba com a crise de ansiedade? Não, não vai. Lamento dizer, mas eu sou uma versão única e exclusiva de mim.
O mundo está repleto de outras 7 bilhões de pessoas com versões únicas de si e algumas, naturalmente, não vão estar na mesma sintonia que nós. Não vale à pena sofrer por isso. Valorize o diamante lapidado que você é, e não se perca!
– Lívia Cout
Instagram: @antesdexplodir
Twitter: @AntesdeExplodir

Aqui jaz eu mesma

Eles dizem “mas ela é tão quietinha…”
Mal sabem que me calo porque às vezes palavras deixam feridas
Eu não quero machucar ninguém
Me calo porque já fui ferida pelas palavras proferidas, também.
Porque quem fala, diz da boca pra fora
mas quem escuta, ouve da alma pra dentro.

É assim que se morre.

Não falo de morte morrida
Nem de morte matada
Não é a causada por fatores externos
Nem de causas naturais

A morte de dentro dói

Minha vida se esvai dessa doce vestimenta
Que é regada de tanto sentir
que não cabe mais no ser
E eu nem sei nomear tantos sentimentos

Me calo porque lá fora é um caos como aqui dentro
E se os caos se misturam como é que fica? Como é que eu fico?

Faço silêncio, de luto pelo meu corpo que, aos poucos, esmorece.
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– Lívia Cout.

Mofo deu e me fudeu

Acho que foi anteontem que comi um pão inteiro com bolor sem perceber.
Só me dei conta no finalzinho do pedaço, quando senti o gosto amargo, a cor esverdeada…urgh!
Às vezes eu sou lerda e me perco de mim.
Quer dizer, juro que sou uma pessoa extremamente observadora e detalhista, mas não percebi.
Não percebi porque estava ocupada demais respondendo suas mensagens, e então nem mesmo olhei o que estava comendo.
Eu não percebi…
Não percebi que o pão tava mofado, nem que suas mensagens eram tóxicas.
Na verdade, no fundo de minhas papilas gustativas e sensitivas, senti que algo estava errado. De repente você sente que aquilo que era pra ser saboroso toma um gosto amargo e estranho.
Você me intoxicou.
O pão não me fez mal algum, acredite, mas você fez.
Porque tu é um fungo que se proliferou em mim.
Não tomei a cor esverdeada, mas eu tenho certeza que a micose que eu tive, dia desses, nos pés e nas mãos, não foi exatamente por ter hiperidrose.
Você é um fungo do tipo alucinógeno, como esses cogumelos que alguns de meus colegas, que não são bem meus colegas, curtem usar.
Tu me fez ficar sem entender o porquê e desconfiar do que dizia minha a própria voz interior. Fiquei convicta de que era uma paranoia…
Não era.
Já foi tempo de eu curtir essa vibe de drogas, porque um dia você as usa, mas quando menos percebe elas te usam.
Como você me usou.
Tu se aproveitou do meu estado em decomposição pra tirar vantagem e produzir sua própria cura.
Todas as vezes que chorei você amou o ambiente depressivo e úmido, pulou de felicidade em segredo, de modo microscópico.
Pesquisei no Google, às 04:00 h da manhã “Como matar fungos”.
Enxugo as lágrimas pro ambiente não ser propício e digito esse texto na esperança de já ter te matado.
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– Lívia Cout